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Rei Saul

Rei Saul

"Batalha de Gelboé e morte de Saul. Neste meio tempo os filisteus estavam em guerra com Israel. Os israelitas fugiram diante dos filisteus e, feridos de morte, caíram na montanha de Gelboé. Os filisteus perseguiram de perto a Saul e seus filhos, massacrando Jônatas, Abinadab e Melquisua, filhos de Saul. Então se travou uma peleja encarniçada em torno de Saul, e os flecheiros o atingiram com as flechas. Ferido mortalmente pelos flecheiros, ordenou Saul ao escudeiro: "Desembainha a espada e traspassa-me com ela! Não venham esses incircuncisos e me traspassem, abusando de mim!" Mas o escudeiro não quis saber, porque tinha muito receio. Então Saul tomou a espada e se precipitou sobre ela. Quando o escudeiro viu que Saul estava morto, também ele se precipitou sobre a espada e morreu ao lado dele. Portanto neste dia morreram Saul e os três filhos, o escudeiro, bem como todos os seus homens."
(1 SAMUEL: 31, 1-6)

Saul foi o primeiro rei de Israel, filho de Quis, a tribo de Benjamim. O profeta Samuel havia envelhecido e seus filhos mostraram-se incapazes de continuar a obra governamental de seu pai. As nações vizinhas preparavam-se para embaraçar a vida política de Israel e oprimir o seu povo. Por este motivo os anciãos de Israel vieram ter com Samuel e pedir-lhe mudança na forma de governo, dando-lhes um rei visível que governasse sobre eles, à semelhança das nações bem organizadas que lhes eram próximas, a fim de conduzi-los à vitória sobre os inimigos. Já que o futuro governo seria a monarquia, presidida por um rei representante de Jeová, de acordo com o que havia sido anunciado desde remotos tempos, mas o espírito do povo, pedindo um rei, nesta crise social, era irreligioso. Perderam a confiança em Deus, sem a qual era impossível o governo de Jeová, como rei teocrático. Abandonaram a fé no Deus invisível para depositarem confiança em um rei visível. Por instruções divinas, Samuel informou aos anciãos, quais seriam os direitos do rei e as obrigações do povo para com ele. Como os anciãos insistissem no seu pedido, foram atendidos e saíram.

Certo dia, o pastor Saul havia perdido umas jumentas de seu pai e saiu à sua procura. Saul era ainda jovem, com trinta e cinco anos de idade e era o mais alto dos homens de Israel. Passaram-se três dias sem que aparecessem as jumentas, e ele estava a ponto de voltar para casa. Os seus criados aconselharam-no a fazer um último esforço. Algumas pessoas o informaram que na cidade vizinha havia um homem de Deus que poderia dar-lhes notícias delas, e Saul foi aconselhado a ir ter com ele. Este homem de Deus era o profeta Samuel, a quem Deus havia dito que um homem de Benjamim o havia de procurar e que esse seria ungido rei sobre Israel. Saul e sua família, moradores de Gibeá, conheciam a Samuel só de nome. Saul nunca se havia encontrado com ele antes e não sabia que Samuel era o homem de Deus de quem povo falava. Referindo-se a ele, dizia: "o homem e Deus" e ao encontrar-se com ele às portas da idade, não o conhecia como tal. Samuel disse-lhe que a jumenta de seu pai já haviam parecido e participou-lhe que Deus o havia escolhido para ser rei sobre Israel, e que ia dar-lhe lugar de honra na festa sacrificial que ia celebrar.

Na manhã seguinte, quando o seu hóspede se despedia, o profeta tomou uma pequena redoma de óleo e a derramou sobre a cabeça de Saul, beijando-o, disse: "Eis aqui te ungiu o Senhor por príncipe sobre a sua herança", proibiu-lhe dizer o que havia sucedido com ele, ordenou-lhe que fosse para Gilgal e que se detivesse ali sete dias até que lá chegasse para oferecer sacrifícios e dar-lhe as precisas instruções.

Em breve, Samuel reuniu o povo em Mispa. A escolha pertencia a Deus. Lançaram as sortes e a escolha caiu sobre Saul. Porém, ele se ocultou. Quando o tiraram de seu esconderijo e surgiu por entre a multidão, mais alto que todo o povo dos ombros para cima, o aclamaram com entusiasmo. Deus havia escolhido um homem de bela aparência a fim de atrair a admiração e ganhar a confiança de todo o povo; e ainda mais, um homem da tribo de Benjamim, situada entre Efraim e Judá de modo a agradar tanto às gentes do norte como às do sul. Samuel havia entregue a escolha ao Senhor a fim de conseguir o apoio dos homens piedosos para o novo rei, Grande séqüito de homens obedientes e Deus acompanhou Saul até sua casa. Havia , porém, certo número dos homens de Beilal que não se mostraram contentes. Saul retirou-se a vida privada, até que se dissolves sem estes germes de oposição. Dedicou-se ao cultivo das terras de seu pai. Um mês depois destes eventos, os amonitas cercaram a cidade de Jabes de Gileade. A pedido dos sitiados, os amonitas concederam-lhes, por escárnio, sete dias de prazo para acharem quem os livrasse. Alguns dos emissários chegaram até Gebas, trazendo a triste notícia e pedindo socorro. Saul soube isto quando voltava do campo, O Espírito do Senhor apoderou-se dele. Cheio de ardor, convidou as tribos a acompanhá-lo em auxilio de seus irmão. Samuel foi junto. Jabes foi salva. Por essa ocasião o povo quis matar os que se recusavam a reconhecer a Saul como seu rei, O profeta levou Saul até Gilgal, lugar mais próximo, onde se ofereciam os sacrifícios. Ali foi Saul Investido nas funções reais e Samuel despojou-se do seu cargo de juiz.

A idade em que Saul começou a reinar é ignorada mas a idade de trinta anos é mais que suficiente para habilitar um homem a assumir o comando militar. Saul organizou um exército permanente de três mil homens; dois mil destes estavam com ele em Micmás e em Betel, e mil ficaram com Jônatas em Gibeá. Jonatas destroçou uma guarnição de filisteus em Gibeá e ao saberem disto, os filisteus se aprestaram para a campanha. Compreendendo o perigo que os ameaçava, acudiram ao chamado de Saul para se reunirem em Gilgal, para onde Samuel havia ido a fim de suplicar o favor divino. Um exército inimigo penetrou em terras de Israel e acampou-se em Micmás. Os Israelitas ficaram temerosos e Samuel demorou-se a chegar. O povo então começou a se espalhar, abandonando o rei; os filisteus começaram a descer sobre as forças enfraquecidas de Saul. Tardando Samuel em vir, Saul adiantou-se a oferecer o sacrifício. Chegando o profeta, repreendeu a Saul por haver transgredido a ordem divina e declarou-lhe que por causa de sua desobediência o seu reino não subsistiria para o futuro. Samuel seguiu para Gibeá, a fim de estar perto do rei. Saul e Jônatas tomaram posição em Gibeá de Benjamim, e os filisteus acamparam-se em Micmé. Por um ato de bravura, Jônatas levou o pânico ao campo do inimigo. Saul, aproveitando-se deste sucesso, alcançou uma esplêndida vitória. Depois disto, Samuel mandou que o rei fizesse guerra de extermínio aos amalequitas. Saul deu começo à guerra que terminou com o completo desbarato do inimigo; porém, dos despojos que deveriam ser destruídos, o rei separou o melhor dos gados para serem oferecidos era sacrifício ao Senhor, em Gil gal, e também poupou a vida do rei. Por este segundo ato de desobediência pelo qual mostrou mais urna vez que não servia para executar as ordens divinas, antes a elas opunha a sua vontade, Deus o rejeitou para não ser mais rei de Israel. O Senhor enviou Samuel a Belém para ungir em rei a Davi. O Espírito do Senhor apartou-se de Saul o qual começou a ser atormentado por um espírito maligno. Era preciso que um arpista viesse e cuidasse do temperamento melancólico, pois a música aliviada as crises de depressão do Rei Saul. Chamaram então a Davi. As aclamações que o povo fez ao jovem filho de Jessé, ao voltar da vitória sobre o gigante Golias, de tal modo enciumaram o rei, que por vezes tentou matá-lo. Afinal, os filisteus invadiram o território israelita e acamparam-se em Sunéin, perto do vale de Jezrael. Saul, dispondo-se a dar com bate ao inimigo, tomou posições no desfiladeiro do monte Gilboé. Alarmado por maus pressentimentos sobre o resultado da guerra, dirigiu-se pela escuridão da noite à casa de uma pitonisa que morava em En-Dor, muito perto do acampamento do filisteus, a qual tinha fama de evocar o espírito dos mortos, e por ela foi informado de que ele e seu filho iam perecer no dia seguinte em combate.

Chegou o dia e a batalha começou. Os inumeráveis inimigos avançaram, com denodo, contra as linhas de Saul. Na refrega, morreram os três filhos do Saul, inclusive o abnegado e heróico Jônatas. O rei ficou gravemente ferido e pediu a seu escudeiro que o atravessasse com a sua espada. O jovem soldado declinou da responsabilidade deste ato. Saul atirou-se sobre a ponta da espada e suicidou-se. Os filisteus vitoriosos, encontrando os corpos estendidos no campo, cortaram a cabeça de Saul e o despojaram das armas e a enviaram por toda a terra dos filisteus, e puseram as armas de Saul no templo de Astarote e penduraram o seu corpo no muro de Betsã, juntamente com os corpos de seus filhos. Os homens de Jabes de Gileade que Saul havia salvo no princípio de seu reinado, em testemunho de gratidão, passaram o rio durante a noite em direção à cidade, tiraram os cadáveres do rei e de seus filhos e voltaram para Jabes e ali os queimaram; e tomaram os seus ossos e os sepultaram no bosque de Jabes. Davi chorou a sorte do Ungido do Senhor e do amado Jônatas em sentidas estrofes. A Escritura não menciona a duração do reinado de Saul, mas, segundo Paulo e o historiador Josefo, foi de 40 anos.