Tudo que ocorre na nossa vida causa reações químicas no cérebro que são responsáveis pela alegria ou tristeza, prazer ou dor, bem como todas as outras emoções possíveis. E além de formas naturais de prazer, existem formas artificiais, como as drogas. O egoísmo humano ainda é um dos mais poderosos instintos, vinculado aqueles da sobrevivência, como nutrição e reprodução. Este instinto faz com que aqueles incapazes de lutar e obter sua felicidade de forma natural tentem conhecê-la pelo menos de forma temporária e artificial através do consumo de drogas. Por isso podemos nos tornar dependentes de coisas saudáveis, como água, leite, café e exercícios (hábitos saudáveis) ou dependentes químicos de substâncias que prejudicam a saúde (vício), como o tabaco, álcool e drogas ilegais.
Todo cérebro humano usa apenas 10 % de sua capacidade. Mas todo ser humano quer mais do que sua capacidade e além de sua vontade. Todo mundo quer ser um super-homem (ou mulher-maravilha), ter um super-cérebro para obter um super-sucesso com uma super-fortuna e uma super-fama. Mas nesta busca poucos são os que chegam ao sucesso e muitos os que conhecem o fracasso, a frustração e daí, a depressão e o uso de álcool e outras drogas. A química cerebral que leva a depressão e ao uso compulsivo de drogas com perda do controle, criando a dependência, começou a ser compreendido apenas recentemente. O bombardeamento excessivo do cérebro por estas substâncias causa adaptações moleculares permanentes de diversos sistemas neuronais. Dentre as drogas que causam dependência, apenas os opióides e o álcool interagem com neurônios causando uma significativa dependência somática. Por outro lado, todas as drogas que causam dependência (nicotina, cocaína, álcool, maconha) parecem ativar e produzir alterações permanentes nos circuitos dopaminérgicos do sistema límbico que controlam a motivação e o comportamento.
Acredita-se que a principal via envolvida na origem da dependência a drogas parece ser a via dopaminérgica que se estende da área tegmental ventral, uma região de formação reticular mesencefálica que envia fibras para áreas telencefálicas pertencentes ao sistema límbico, como o núcleo amigdalóide, a área septal e o córtex do giro do cíngulo. Esta via mesolímbica também parece estar envolvida na motivação e comportamento necessário para a sobrevivência humana e para o processo reprodutivo, incluindo o próprio ato da reprodução. O próprio processo de escolha e consumo de alimentos pode não ter sido uma forma específica de seleção no processo evolutivo. Talvez a ativação deste sistema mesolímbico dopaminérgico, alimentos (e drogas) podem levar a uma gratificação e condicionamento, fortalecendo mecanismos de memória e aprendizado. Quando algo estimula este sistema, imediatamente é reconhecido e lembrado vividamente, inclusive as circunstâncias que levam ao seu uso ou consumo. A cocaína, a nicotina, os opióides e o etanol são todos originariamente subprodutos de plantas ou da fermentação natural e atuam como substâncias condicionantes e capazes de gerarem dependência porque mimetizam ou aumentam as ações dos neurotransmissores que atuam nos mecanismos de gratificação, prazer e aprendizado do ser humano. A cocaína inibe a recaptação da dopamina, aumentando sua duração e seus efeitos nas sinapses do sistema mesolímbico, enquanto que a anfetamina libera a dopamina dos neurônios dopaminérgicos. Opióides como a morfina e a heroína mimetizam neurotransmissores opióides (encefalinas) que atuam diretamente no núcleo acumbens mas que podem também atuando de forma desinibitória na área tegmental ventral(VTA), favorecendo a liberação de dopamina. A nicotina mimetiza a ação de acetilcolina nos receptores nicotínicos centrais enquanto que o etanol possui um poderosos efeito facilitador nos receptores GABAérgicos. Embora as ações da nicotina e do etanol nos circuitos de gratificação do cérebro não sejam ainda complet ente conhecidas, sabe-se que ambas as substâncias causam uma maior liberação de dopamina no núcleo acumbens e sistema límbico
E este aumento dos níveis de dopamina pode ser inibido em diversas etapas, como através do uso de antagonistas de receptores opióides do sistema, como o naltrexone, o qual se constitui num novo avanço no tratamento do alcoolismo. Descobertas recentes em medicina caracterizaram que o ser humano, além de selecionar plantas (nicotina, cocaína, heroína, álcool) que estimulem esta forma de prazer no sistema límbico, também identificou plantas que podem estimular o córtex cerebral, aumentando a atenção e memória, além de bloquear a função exagerada do sistema límbico através deste sistema opióide, modulando ou interferindo no desejo de auto-gratificação que leva ao consumo de drogas. Isto explica porque o café é a planta mais consumida no mundo.
O problema é ser dependente de algo que prejudique a saúde - o vício (álcool, tabaco, drogas ilícitas). O que não é o caso do café, se ingerido em doses moderadas e de forma regular. Uma pessoa se torna dependente de algo prejudicial quando não consegue todos ou a maioria dos itens que causam a dependência saudável. O Quadro 4 apresenta as principais causas de dependência saudável ou prejudicial ao ser humano.

No sistema límbico existe uma rede de conexões entre células nervosas que liberam peptídeos endógenos (encefalinas, endorfinas), os quais regulam o teor final de dopamina, no núcleo acumbens. Esta via parece estar envolvida na motivação e comportamento necessário para a sobrevivência humana, incluindo o próprio ato da reprodução. Por exemplo, a escolha e o consumo de alimentos podem não ter sido selecionados de forma específica no processo evolutivo mas através da ativação do sistema límbico dopaminérgico, alimentos (e drogas) podem levar a uma gratificação e condicionamento, fortalecendo mecanismos de memória e aprendizado. Quando algo estimula este sistema, imediatamente é reconhecido e lembrado vividamente, inclusive as circunstâncias que levam ao seu uso ou consumo. A cocaína, a nicotina, os opióides e o etanol são todos originariamente subprodutos de plantas ou da fermentação natural, e atuam como substâncias condicionantes e capazes de gerarem dependência porque mimetizam ou aumentam as ações dos neurotransmissores que atuam nos mecanismos de gratificação, prazer e aprendizado do ser humano. A cocaína inibe a recaptação da dopamina, aumentando sua duração e seus efeitos nas sinapses do sistema mesolímbico, enquanto que a anfetamina libera a dopamina dos neurônios dopaminérgicos. Opióides como a morfina e a heroína mimetizam neurotransmissores opióides, que atuam diretamente no núcleo acumbens mas que podem também atuar de forma desinibitória no sistema límbico, favorecendo a liberação de dopamina. A nicotina simula a ação de acetilcolina nos receptores nicotínicos centrais, enquanto que o etanol possui um poderoso efeito facilitador nos receptores do aminoácido Gama-Amino-Butírico (GABA). A nicotina e o álcool causam uma maior liberação de dopamina no sistema límbico. E este aumento dos níveis de dopamina pode ser inibido em diversas etapas, como através do uso de antagonistas de receptores opióides. O remédio naltrexona, usado no tratamento do alcoolismo, atua bloqueando os receptores opióides no início do circuito de gratificação do sistema límbico e o fármaco bupropiona, usado no tratamento do tabagismo, atua no final do circuito aumentando os níveis de dopamina, modulando e suprimindo assim o desejo excessivo de prazer obtido através da nicotina, sendo um eficaz agente no controle do tabagismo (Adaptado de Hyman, 2001 e Messing, 2001).
| Causas da Dependência | |
|---|---|
| Dependência Saudável | Dependência Prejudicial |
| Ar | Drogas legais (nicotina, ácool) |
| Água | Drogas ilegais (cocaína, heroína, maconha, etc) |
| Sono | |
| Café | |
| Comida | |
| Amor | |
| Mãe/Pai | |
| Dinheiro | |
| Alegria | |
| Felicidade | |
| Sexo | |
| Amigos | |
| Trabalho | |
| Lazer | |
| Exercícios | |