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O grande romancista francês Honoré de Balzac nasceu em Tours, França em 20 de maio de 1799 e morreu em 18 de agosto de 1850. Filho de um camponês convertido em funcionário público teve uma infância infeliz. Apesar das suas pretensões aristocráticas, Balzac era de uma família modesta. Educado num colégio de Vendôme, muda-se, ainda jovem, para Paris, onde leva, até aos trinta anos, uma vida singularmente aventurosa, cheia de jogos, de esforços em diversos sentidos e de empreendimentos fracassados. Estudou Direito em Paris de 1818 a 1821, obrigado pelo pai. Apesar da oposição paterna, decidiu dedicar-se à literatura. Entre 1822 e 1829, viveu na mais obscura pobreza, escrevendo teatro trágico e novelas melodramáticas. Alojado num pequeno quarto durante muitos anos, acumulou uma infinidade de volumes, a maioria sob pseudônimo, para os quais não encontra editor. Uma vontade menos sólida que a sua abandona, mas Balzac tem uma fé inquebrantável no seu próprio gênio e persevera de modo infatigável. Por outro lado, tenta animosamente assegurar a sua independência por meio de especulações industriais. É editor, impressor, etc. Mas nenhuma das suas empresas triunfa, e só lhe deixam dívidas. Perante a falta de êxito volta com mais afinco à literatura.
Em 1825, chegou a conhecer a sorte como editor e impressor, mas se viu obrigado a abandonar o negócio em 1828, à beira da bancarrota e endividado para o resto da vida. Em 1829 escreveu seu primeiro romance. Entre as primeiras obras que assina com o seu nome contam-se Pequenas Misérias da Vida Conjugal e Catarina de Médicis. Trabalhador infatigável, Balzac produziu cerca de 100 novelas e inúmeros relatos curtos, obras de teatro e artigos para a imprensa nos 20 anos seguintes. Contudo, ainda não é conhecido como romancista quando aparece, em 1830, A Pele de Chagrém, romance de grande êxito. A partir deste momento, e graças a um trabalho encarniçado, a sua produção literária é de uma regularidade surpreendente.
O hábito de trabalho de Balzac era fabuloso - escrevia mais de 15 horas por dia sempre tomando café quase que de hora em hora. Sem ter em conta as classificações que adota mais tarde, quando empreende o trabalho de juntar todas as partes da sua obra sob o título genérico de A Comédia Humana. Entre as novelas mais conhecidas da série figuram "Papai Goriot" (1834), "Eugénie Grandet" (1833), "A Prima Bette" (1846), "A Busca do Absoluto" (1834) e "As Ilusões Perdidas" (1837-1843). Também são famosos seus romances “Um Episódio no Tempo do Terror”, “A Obra-Prima Desconhecida”, “O Coronel Chabert”, “O Médico de Aldeia”, “O Lírio no Vale”, “César Birotteau”, “Úrsula Mirouet”, “Um Caso Tenebroso”, “Esplendores e Misérias das Cortesãs”, “Modeste Mignon”, “O Primo Pons”. O momento mais glorioso da carreira de Balzac, que de certo modo marca o florescimento do seu gênio, é a época em que publica os contos e romances que classifica posteriormente, na sua Comédia Humana, em Cenas da Vida Privada e Cenas da Vida de Província. As principais são: A Mulher Abandonada, A Mulher de Trinta Anos, A Solteirona.
Em 1832 começou sua correspondência apaixonada com uma condessa polaca, Eveline Hanska, que prometeu casar-se com ele depois da morte do marido. Este morreu em 1841, mas Eveline e Balzac não se casaram até março de 1850. Balzac morreu em 18 de agosto daquele ano. Em 1834, Balzac concebeu a idéia de fundir todos os seus romances em uma obra única. Sua intenção era oferecer um grande retrato da sociedade francesa em todos os seus aspectos, desde a Revolução até sua época. Sua maior obra, A Comédia Humana, inclui 150 novelas, divididas em três grupos principais: "Estudos de Costumes", "Estudos Filosóficos" e "Estudos Analíticos". Balzac tornou-se um dos criadores do Realismo na literatura, embora seu trabalho seja baseado no Romantismo francês.
A sua obra romanesca faz uma penetrante descrição da sociedade francesa surgida da Revolução de 1789, cujas principais características são os temas arquétipos de Balzac: o declínio da nobreza, a euforia da burguesia, a omnipotência do dinheiro e a ascensão social dos plebeus ambiciosos e sem escrúpulos num ambiente de individualismo feroz. O seu realismo romântico é a base da corrente realista da segunda metade do século XIX em França. A sua intenção de delinear uma história total da sociedade influencia poderosamente Zola. O valor intrínseco da sua obra, a criação literária de tipos humanos, consolida-se, historicamente, como um dos momentos culminantes da história do romance. Balzac está enterrado no cemitério Le Pére Lachaise em Paris e é homenageado com uma monumental estátua feita pelo grande Auguste Rodin (1840-1917).
Algumas frases de Balzac:
“ A infelicidade tem isto de bom: faz-nos conhecer os verdadeiros amigos”.
“ É mais fácil ser amante do que marido, pois é mais fácil dizer coisas bonitas de vez em quando do que ser espirituoso dias e anos a fio”