Home > Famosos bebedores de café

Voltaire, pseudónimo de François-Marie Arouet (21 de Novembro de 1694, Paris - 30 de Maio de 1778, Paris) foi um poeta, ensaísta, dramaturgo, filósofo e historiador iluminista francês. Iniciado maçom no dia 07 de abril de 1778, na Loja Maçônica "Les Neuf Soeurs", da cidade Paris. Foi educado num colégio de jesuítas, desde jovem se proclama livre pensador. Poeta e satírico brilhante, Voltaire distingue-se nos salões parisienses, mas a sua atividade panfletária dirigindo versos contra o Regente de França, Filipe duque de Orleães, leva-o a ser detido na Bastilha (1717). Em onze meses de prisão conclui a sua primeira tragédia, Oedipe (levada à cena no ano seguinte) e inicia um poema épico sobre Henrique IV. Este seria publicado anonimamente em Genebra com o título de Poème de la ligue (1723).
Na seqüência de um duelo com um membro da nobreza, o fidalgo Rohan, Voltaire é novamente preso na Bastilha. É liberto ao fim de duas semanas, mas compromete-se a sair de França; ruma então a Inglaterra em 1726. Aí permaneceu a partir de 1728 e fez amizade com os escritores Pope e Swift, familiariza-se com a língua inglesa e com o pensamento de Isaac Newton, publicou ensaios sobre Poesia e História e torna-se admirador do sistema político britânico. Uma característica marcante de Voltaire era seu hábito do tomar várias xícaras de café todo dia.
De volta a França prossegue a atividade literária e publica Henriade (1728-30), Histoire de Charles XII (1731), Zaire (1732), Temple du Goût e Lettres philosophiques (1734), de exaltação do sistema liberal inglês e a condenação do despotismo. Esta última obra, a mais importante deste período, obrigou novamente Voltaire a deixar Paris e a refugiar-se intermitentemente em Cirey, no ducado da Lorena, onde usufruiu a hospitalidade de madame du Châtelet até à morte desta em 1751. Este foi um período de intensa produção literária, sempre tendo o café como estimulante intelectual. Com Mondain (1733) há nova necessidade fuga, desta vez para a Holanda, onde publica Eléments de la Philosophie de Newton (1738) e onde passa a corresponder-se com Frederico da Prússia. O êxito obtido com Mahomet (1741) e Mérope (1743), aliado à boa influência de Madame de Pompadour, passa a servir Luís XV em missões na Prússia, é designado historiador do reino e é eleito membro da Academia francesa em 1746.
Muda-se para Potsdam em 1751, onde desempenha o cargo de camarista e guia literário de Frederico o Grande. Mas incompatibiliza-se com o rei da Prússia em 1753 e leva uma vida errante até 1755, ano em que se estabelece numa propriedade que batiza Délices, próximo de Genebra. Em 1756 publica La loi naturelle, Le désastre de Lisbonne e Essai sur les moeurs. Em 1759 o conto filosófico Candide, seguindo-se Traité sur tolérance (1760), Dictionaire philosophique (1764).Regressou a Paris em 1778, ano em que morreu.
A razão de sua celebridade são as suas obras literários e filosóficas. Os seus textos são caracterizados pela leveza de linguagem e grande maestria na ironia, que utilizou como arma superior do indivíduo civilizado para atingir os seus inimigos, freqüentemente por ele parodiados, demonstrando em todos os momentos um finíssimo senso de humor. Muitos atribuem estas qualidades à inteligência de Voltaire estimulada pelo café. São conhecidas as suas divergências com Montesquieu sobre o Direito dos povos à guerra. E Voltaire não vê oposição entre uma sociedade alienante e um indivíduo oprimido, idéia defendida por Rousseau, mas antes crê num sentimento universal e inato da justiça, que tem que observar-se nas leis de todas as sociedades. A vida em comum exige uma convenção, um contrato social para preservar o interesse de cada um. O instinto e a razão do indivíduo levam-no a respeitar e promover tal pacto. O propósito da Moral é ensinar-nos os princípios desta convivência frutífera. O trabalho do homem é tomar o seu destino nas suas mãos, melhorar a sua condição mediante a ciência e a técnica e dar beleza à vida através da Arte.
A sua filosofia prática prescinde de Deus, ainda que Voltaire não seja ateu; porém, como o relógio pressupõe o relojoeiro, o universo implica a existência de um "eterno geómetra" (Voltaire é teísta). No entanto, não crê na intervenção divina nos assuntos humanos e denuncia o providencialismo em Cândido.
Ao ser um fervoroso opositor da Igreja Católica, que segundo ele, é um símbolo da intolerância e da injustiça, pode ter sido incapaz de fazer justiça ao Cristianismo. Mas empenhou-se na luta contra os erros judiciais e na ajuda às suas vítimas. A burguesia liberal e anticlerical faz dele seu ídolo. Voltaire ficou na História por ter-nos proporcionado o conceito de tolerância religiosa. Foi um incansável lutador contra a intolerância e a superstição e sempre defendeu a convivência pacífica entre pessoas de diferentes crenças e religiões. E achava que todos deviam tomar café diariamente pois além da cafeína, desconfiava que a bebida tinha algo mais que seria descoberto algum dia no Brasil por um cientista brasileiro.