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A foto abaixo mostra a famosa escritora francesa do Século XVII, Marie de Rabutin-Chantal, marquise de Sévigné, a qual era uma grande crítica do café e de escritores de sua época, dizendo: "Racine passará, como passará o café".

Marquesa de Sévigné
A Marquesa de Sévigné cujo nome era Marie de Rabutin-Chantal nasceu em Paris no dia 5 de fevereiro de 1626 e morreu em 17 de abril de 1696, vítima de poliomielite. Foi autora de uma série de Cartas, muitas delas endereçadas a sua filha, a condessa de Grignan e a outros correspondentes, que se tornaram famosas pela crítica e ironia as pessoas e costumes da época. A Marquesa de Sévigné dizia viver recolhida à sua cela de segurança máxima, cela-biblioteca, refúgio estratégico em meio às mazelas cotidianas, onde sempre encontrava conforto. Também preferia se recolher em razão das constantes tempestades de inveja, fofocas, ciúmes e amizades falsas e interesseiras na Paris do Século XVII. Escreveu à sua filha: "Enfim, enquanto tivermos livros não nos havemos de enforcar". Suas cartas valem pela espontaneidade do estilo e pelo imaginação inteligente e criativa, além de conterem interessantes pormenores sobre os costumes da época. Com fina ironia ela comentava sobre as esposas dos politicos importantes que faziam fofocas e intrigas na corte para agradarem aos seus superiores. Marie de Rabutin Chantal foi um dos espíritos mais brilhantes do século XVII, contemporânea dos três grandes da literatura francesa do Século XVII, Jean Racine (1639 -1699), Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière (1622 - 1673) e Pierre Corneille (1606-1684), além do grande matemático, físico e filósofo religioso Blaise Pascal (1623 - 1662). Tornou-se a mais famosa missivista de todos os tempos (só à filha, escreveu cerca de 1.700 cartas). Por achar as pessoas da alta sociedade parisiense pouco sinceras e superficiais, sem agirem como verdadeiros e sinceros amigos, algo raríssimo na época, ela encontrou nos seus livros e cartas uma forma de jamais sentir-se só.
A Marquesa de Sévigné ficou órfã com a idade de seis anos e cresceu sob os cuidados de seu tio Felipe II de Coulanges. Sua infância foi feliz e foi educada por dois famosos tutores da época, Jean Chapelain e Gilles Ménage. Foi introduzida a sociedade e aos nobres da corte no Hotel de Rambouillet em Paris após seu casamento em 1644 com Henri de Sévigné, um nobre que gastou de forma irresponsável a maior parte de sua fortuna antes de ser morto em um duelo em 1651. Deixou a viúva e duas crianças, Françoise Marguerite (nascida em 1646) e Charles (nascido em 1648). Por alguns anos a Mme de Sévigné continuou a conviver em seu círculo social ao mesmo tempo em que se dedicava à criação de seu casal de filhos. Em 1669, sua bela filha Françoise casou-se com o Conde de Grignan e mudou-se para Provence, onde o genro tinha sido designado Tenente-General da Província. A separação do convívio diário com a filha provocou uma imensa sensação de solidão na Mme. de Sévigné, o que a motivou a escrever cartas quase que diariamente a sua filha, Mme de Grignan, as quais não tinham intenção ou ambição literária. A maioria das 1.700 cartas que ela escreveu à filha foram feitas nos primeiros sete anos que ela se separou da filha, a partir de 1671. As Cartas contavam as novidades e mesmo eventos e acontecimentos na sociedade parisiense, descreve as pessoas proeminentes, comenta temas da época, como o novo hábito de tomare café, ond Mme de Sevigné escreveu: "Racine passará, como passará o café". Mas tanto o café como a obra de racine permaneceram para sempre. A filha da marquesa adorava tomar café, algo que a Mme Sevigné criticava ao ponto de comentar com a filha, em uma das Cartas:" Minha querida filha Charlotte, você sabia que a Marquesa de Coëtlogon tomou umas bebidas estranhas que estão se tornando muito populares aqui em Paris, chamadas café e chocolate, que de tanto tomar, estando grávida no ano passado, acabou dando à luz a um menino negro que nem o diabo". As suas cartas abordavam quase todos os temas, tornando-se verdadeiros documentos históricos e irônicos da época, inteligentes, narrativos, além de evidenciar seu gosto pela leitura, sua melhor companheira.